quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

1 ano e 6 meses

Depois de alguns dias, semanas e longos meses, estou aqui, de volta, relembrando os mesmos momentos,como se eu voltasse para cada um deles, como se eu ainda estivesse presa a cada um deles. Eu descobri que eu tenho medo, que eu tenho muito medo, esse medo toma conta de mim, é como se todos os dias eu prometesse pra mim mesma, que seria diferente, mas acabasse sendo igual, eu me entregando pras mesmas coisas e ficando mal novamente, me sentindo mal novamente. Meu medo não prejudica ninguém, não faz mal a ninguém, meu medo me faz mal, meu medo me cala, me faz ficar em silêncio, irônico, bastante, pois meu maior sonho, é totalmente ao contrário de ficar em silêncio, eu tenho medo de cair nos mesmos buracos, de ser parada nos mesmos obstáculos, eu tenho medo que novamente a ponte não se mova, eu tenho medo de continuar e acabar me sentindo exatamente como estou me sentindo. Os dias passaram e eu acabei me adaptando aos climas, a pessoas irritadas e sem coração, as semanas passaram e eu acabei deixando muita coisa passar, enquanto eu apenas assistia, ai chegaram os meses, longos meses, pareciam que não acabavam nunca, durante esses meses, eu me conheci, eu me refiz, eu virei e desvirei meutravesseiro, eu construí sonhos impossíveis, e dormia para continuar construindo-os, eu comecei a sonhar acordada, com coisas e pessoas que não valiam a pena, eu comecei a viver na ilusão dos meus sonhos, eu comecei a acreditar muitas vezes que eu vivia dentro deles. Eu comecei a esquecer das coisas que eu mais gostava, das pessoas que eu mais me importava, dos abraços e sorrisos que eu mais admirava, eu comecei a desejar muito mais do que eu tinha, eu comecei a viver num mundo que não era meu, mas era eu vivendo ali. Era mais fácil, porque no mundo dos meus sonhos, as coisas aconteciam exatamente como eu queria e planejava, nada de ruim acontecia, eu não sofria, era só sorrisos, meus sonhos sempre acabavam bem, mas e quando eu acordava, eu olhava em volta e me sentia mal, por todo o tempo que eu tinha perdido, eu via que de nada valeu, passar horas dormindo, forçando um sono que muitas vezes não existia para sonhar, sendo que quando eu acordava nada daquilo era real. Mas parecia que não adiantava, qualquer coisa era melhor do que encarar friamente a realidade de que as coisas, não são exatamente como eu planejei ou desejei, de que as coisas não são e nunca serão iguais a todas aqueles sonhos, egoístas e individualistas que não faziam mal a ninguém e que no fim todo mundo acabava feliz. Eu esqueci tantas coisas, eu passei a viver pela metade ou a não viver, passei apenas a estar viva, meses longos de mais. Hoje eu vejo e me pergunto, como eu conseguia fazer tudo aquilo, me ver acabando comigo mesma, como eu consegui fazer tão pouco, de coisas que eu gostava tanto, como eu consegui fazer tão pouco dos meus sonhos e objetivos, é o tempo passa, e ele passou e não esperou eu curar minhas magoas e minhas feridas, ele simplesmente passou, e levou com ele tudo, tudo que eu fiz questão de esquecer e trocar pelas minhas ilusões idiotas, mas me diz quem vive de ilusões? Quem quer viver de ilusões? Eu também não quero, o tempo passou e eu estou aqui, de volta, no mesmo lugar, onde tudo começou, pronta pra viver tudo aquilo que eu deixei de viver, que eu fui impedida de viver, com as pessoas que eu deixei aqui, mas quem disse que eu consigo? Quem disse que é simples assim? Eu não escolhi ir embora de novo. Cansei de viver apenas enquanto durmo, cansei de ser só a metade da menina, que adorava os animais e a música, que era amiga de todo mundo e que não conseguia ver um amigo chorar, que amava flores e handebol, que fazia coleção de quantos filmes já assistiu e que adorava ler livros e comer pitanga nos fundos da casa de sua vó. Vó essa que eu sinto tanta saudade, que se foi tão cedo pra mim e que faz uma falta enorme, eu sinto saudade dessa menina, sinto falta de mim mesma. Coisas essas que só existem dentro de uma caixinha de lembranças, onde durante esses longos meses, pouquíssimascoisas foram colocadas dentro dela. Em alguma curva eu me perdi, é como se eu tivesse deixado parte de mim, em cada mudança, por cada casa e lugar que passei, é como se fosse muito difícil juntar todos esses pedaços novamente. Eu queria que me entendessem que me ajudassem, mas se nem eu mesma faço isso por mim, seria muito pedir a alguém que o fizesse. Eu sinto que perdi algo muito precioso durante esse tempo, perdi o dom de sorrir, perdi as cores, perdi o cheiro das flores, me perdi. Eu sempre sinto que a minha hora vai chegar, mas ela nunca chega, eu sei sim, um dia ela vai chegar, em meio a tantas coisas, palavras e sentimentos, desacreditar seria um erro. Estou pronto pra seguir em frente e era obrigada a descarregar tudo isso do meu coração, planos que não deram certo, promessas que viraram apenas dividas, oportunidades que não aproveitei, lugares, pessoas que fiz questão de afastar de mim, problemas, discussões, opiniões, julgamentos e condenações de pessoas que não acrescentaram e não fizeram e não fazem falta. Precisava libertar meu coração e me libertar, entregar na mão de Deus, precisava desabafar, desabar em palavras mesmo que as lágrimas também viessem a cair. Eu não posso dizer como vai ser daqui pra frente e como eu vou me sentir, só consigo dizer que é um grande alivio e que eu espero o amanhã chegar, o amanhã esse que eu sei que vai ser melhor, vai ser eu melhor, vivendo a minha realidade e não as minhas ilusões, esse é o melhor pra mim e pra minha vida, sonhar é muito bom e eu continuo tendo sonhos, grandes sonhos, mas eu entendi que é preciso eu ficar bem presente na minha realidade, para poder realizar cada um desses sonhos e sentir na pele a emoção de cada um, por que eu sei que quando eu acordar vai ser real, vai ser eu ali e dessa vez não vai ser apenas um sonho, vai ser realidade, que dessa vez vai ser eu de verdade.
Ivana Nunes

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